Energia solar será a fonte que mais crescerá no mundo até 2030

Demanda global por eletricidade deve incrementar em taxa média anual de 3,6% no período, mostra estudo da Agência Internacional de Energia (IEA)

Por: Ricardo Casarin

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A energia solar fotovoltaica será a fonte de geração que mais crescerá no mundo até 2030, adicionando sozinha mais de 600 terawatts-hora (TWh) por ano ao sistema elétrico global, aponta o relatório Electricity 2026, da Agência Internacional de Energia (IEA). Em volume de geração, a solar deve ultrapassar a energia eólica e nuclear já em 2026 e superar a hidrelétrica até 2029, consolidando-se como um dos pilares centrais da matriz elétrica global.
O estudo indica que a a demanda global por eletricidade crescer a uma taxa média anual de 3,6% entre 2026 e 2030, impulsionada pela eletrificação da indústria, expansão dos veículos elétricos, uso crescente de ar-condicionado e proliferação de data centers e aplicações de inteligência artificial (IA).
O documento também destaca a expansão do armazenamento em baterias como elemento-chave para dar mais flexibilidade aos sistemas elétricos. Atualmente, há mais de 600 gigawatts (GW) de projetos de armazenamento em baterias em estágio avançado nas filas de conexão às redes elétricas em todo o mundo.
Na avaliação da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), esse cenário reforça a necessidade de ampliar a segurança regulatória e modernizar a infraestrutura elétrica no Brasil, sobretudo para aumentar a oferta de fontes limpas, renováveis, mais competitivas e de rápida implantação.
No Brasil, a expectativa de crescimento médio anual no consumo de eletricidade é de 3,3% até 2035, projetado no Plano Decenal de Expansão de Energia, da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), e que está em fase de Consulta Pública.  “É preciso superar importantes desafios estruturais, como os cortes de usinas renováveis sem o devido ressarcimento aos empreendedores prejudicados e os obstáculos de
conexão nos pequenos sistemas dos consumidores, sob a alegação de incapacidade das redes e inversão de fluxo de potência, bem como destravar o mercado de armazenamento energético, com legislação e regulamentação adequadas”, pontuou o CEO da Absolar, Rodrigo Sauaia.
“Os cortes e a dificuldade conexão de pequenos sistemas acendem um alerta para a necessidade de modernizar o planejamento e acelerar os investimentos na infraestrutura do setor elétrico, sobretudo em linhas de transmissão e novas formas de armazenar a energia limpa e renovável, gerada em abundância no país”, acrescentou o dirigente.
Para a Absolar os dados do estudo confirmam que o mundo vive a “era da eletricidade”, marcada por uma transição acelerada para fontes renováveis e pela crescente eletrificação dos setores produtivos.
“A eletrificação da economia global está se intensificando e a energia solar se destaca como a principal protagonista desse novo ciclo. Trata-se da fonte mais competitiva, rápida de implantar e que também está alinhada às metas de descarbonização. O Brasil, por sua abundância de recursos solares, tem uma oportunidade estratégica de liderar esse movimento”, disse o presidente do Conselho de Administração da Absolar, Ronaldo Koloszuk.