Limpa e renovável, eletricidade solar ganha terreno em Alagoas
POR Laíse Teixeira
06/02/2017 às 16:48
Limpa e renovável, eletricidade solar ganha terreno em Alagoas

Por Severino Carvalho, Gazetaweb

Não é à toa que o sol é chamado de o astro-rei. Em torno dele, giram todos os corpos celestes, em reverência. A estrela maior também é generosa. Concede luz e calor, essenciais à vida na Terra, mas que também podem ser transformados em eletricidade, força motriz do mundo moderno. E o melhor: de forma gratuita e limpa.

Uma hora de incidência de raios solares, por exemplo, contém mais energia do que o planeta utiliza em um ano inteiro. A eletricidade que vem do sol é chamada de fotovoltaica, termo formado a partir de duas palavras: foto, que em grego significa “luz”, e voltaica, que vem da palavra “volt”, a unidade para medir o potencial elétrico.

O efeito fotovoltaico – resultado da interação da luz solar com os materiais semicondutores de uma célula fotovoltaica – foi observado e descrito pela primeira vez em 1839, pelo físico francês Alexandre Edmond Becquerel. Em 1958, o satélite Vanguard I subia ao infinito carregando em sua estrutura de propulsão células fotovoltaicas. Começava ali o uso prático desta energia limpa, gratuita e renovável.

O Brasil tem um potencial enorme para desenvolver e aplicar a tecnologia. Para se ter uma ideia, a radiação na região menos ensolarada do País é 40% maior do que na região mais ensolarada da Alemanha, um dos líderes no uso da energia fotovoltaica no mundo.

O Brasil deve integrar o ranking dos 20 maiores produtores de energia solar em 2018. O número de instalações solares distribuídas apresenta crescimento. Entre 2015 e 2016, a quantidade de sistemas fotovoltaicos passou de 1.800 para 7.618, atingindo a marca histórica de 57,6 megawatts de potência instalada no País.

Os maiores geradores mundiais são Alemanha, China, Japão, Itália e Estados Unidos. Juntos respondem por 70% desta fonte. Pesquisa do Greenpeace/Datafolha revela que 88% da população brasileira tem interesse de produzir a própria energia e 72% gostariam de instalar um sistema de microgeração solar fotovoltaica em casa.

O preço elevado das tarifas de energia, que pesa no orçamento doméstico, motiva a busca por alternativas mais econômicas e sustentáveis.

Alagoas

O efeito fotovoltaico é resultado da interação da luz solar com os materiais semicondutores de uma célula fotovoltaica

Aqui no Estado, essa tecnologia começa a dar sinais de crescimento. A eletricidade solar ganha terreno. De acordo com a Eletrobras Distribuição Alagoas, 23 unidades consumidoras já fazem uso da geração de energia distribuída através da utilização de equipamentos como placas solares em telhados e minigeradores, sendo uma industrial, cinco comerciais e 17 residenciais.

Juntas, elas geram 26.168 kWh (até o mês de novembro/16). Para este ano, já existem protocolados 36 pedidos para que a concessionária promova a análise, a vistoria e aprovação desses projetos.

Em setembro do ano passado, o Estado formalizou à adesão ao convênio que prevê a expansão da geração de energia distribuída, por meio do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz). A articulação foi pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo (Sedetur), em parceria com Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz).

Dessa forma, o Estado garante a isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) que incidia sobre a energia elétrica trocada entre consumidor e a distribuidora. Isso porque nem toda a eletricidade produzida é consumida.

A legislação permite que o excedente gerado pela unidade consumidora com micro ou minigeração seja injetado na rede da distribuidora, a qual funcionará como uma bateria, armazenando esse excedente. Quando a energia injetada na rede for maior que a consumida, o consumidor receberá um crédito em energia (kWh) a ser utilizado para abater o consumo em outro posto tarifário (para consumidores com tarifa horária) ou na fatura dos meses subsequentes.

Segundo a Eletrobras, os créditos de energia gerados continuam válidos por 60 meses. A compensação de energia é uma operação prevista na Resolução nº 482/Aneel, que regulamenta a microgeração, com potência instalada de 0 a 100 kW, e a minigeração, com potência instalada entre 100 kW a 1 MW. O consumidor que optar por gerar a própria energia por meio de fontes renováveis pode trocar energia com a concessionária local e obter descontos na conta de luz. 

Com a isenção, o consumidor deixa de ser tributado pela energia injetada na rede. Assim, a expectativa do setor é que a medida contribua para alavancar o mercado da micro e minigeração em Alagoas.

Turatti pretende expandir sistema a outros empreendimentos do grupo em Paripueira (Foto: Sedetur)

“Sem dúvida essa isenção foi essencial para que fizéssemos o investimento e apostássemos nesta tecnologia”, afirmou o empresário Vanderlei Turatti que, juntamente com o sócio Ronaldo Scurachio, investiu R$ 400 mil na instalação de 320 placas fotovoltaicas que vão gerar 12 mil kwh por mês, o suficiente para garantir 100% de toda a energia consumida pelo restaurante deles, o Hibiscus Alagoas Beach Club, localizado em Ipioca, Litoral Norte do Estado.

O sistema começa a operar nesta semana. Turatti pretende expandi-lo para os outros empreendimentos do grupo em Paripueira, dentre os quais uma pousada. Para o superintendente de Energia e Mineração da Sedetur, Andrey Gameleira, a ideia de articular o convênio e estimular a produção de energia solar em Alagoas surgiu ao observar a vocação natural do Estado, que possui elevada irradiação presente ao longo do ano.

“Destaca-se também o nosso uso diversificado das fontes renováveis na matriz energética, superior a 75%, quase o dobro do país e cinco vezes o índice dos países desenvolvidos. Além disso, a geração distribuída é uma solução que propicia a mitigação das perdas na distribuição de energia elétrica, qualificando a prestação desse serviço e auxilia às concessionárias na postergação de investimentos em expansão das suas redes”, explicou.

Maragogi na vanguarda

Cabanos foi a primeira praça em Alagoas iluminada por energia solar em sistema off grid

Em maio do ano passado, a Praça dos Cabanos, em Maragogi, Litoral Norte do Estado, ganhou cinco placas fotovoltaicas, transformando-a na primeira praça iluminada por meio de eletricidade solar de Alagoas e desconectada da rede. O sistema é equipado com bateria em sistema off grid, que armazena a energia durante o dia para ser utilizada à noite.

A instalação e inauguração ocorreram durante a 3ª edição do Governo Presente, através da Sedetur. Com 26 anos de funcionamento, uma das pousadas pioneiras de Maragogi, a Barra Velha saiu na vanguarda. O estabelecimento hoteleiro, situado no distrito de Peroba, começou a operar, na quinta-feira (2), o sistema de microgeração integrada de energia.

O investimento foi da ordem de R$ 180 mil e vai gerar economia de um terço do que é consumido pela pousada, ou seja, 3.000 kwh por mês, o equivalente a cerca de R$ 2.000, que serão poupados. São 140 m² de placas fotovoltaicas instaladas sobre o telhado do estabelecimento hoteleiro.

Lula investiu R$ 180 mil para instalar o sistema com 140 m² de placas fotovoltaicas

“Apesar do payback (retorno) ser um pouco longo, vale à pena investir na produção de energia fotovoltaica. Com dois a três anos de funcionamento, a economia resultante da energia produzida vai se tornando maior do que a parcela do financiamento. Por outro lado, o custo da energia elétrica vai crescendo e o valor contratado das parcelas se mantém estável. Sem contar todos os benefícios que existem, por ser uma fonte limpa, que não emite carbono na atmosfera”, afirmou o proprietário da pousada, Luiz Cláudio Gonçalves, o “Lula”, apostando na sustentabilidade.

Hoteleiro acompanha produção de energia solar em tempo real, por meio de aplicativo

Ele acompanha toda a geração de energia em sua pousada por meio de um aplicativo instalado no smartphone.

“Eu comecei a pensar em fazer uso da energia fotovoltaica quando percebi, há cerca de dois anos, que já existia uma legislação sobre o sistema de microgeração distribuída e que havia uma demanda real no Brasil. Minha maior dificuldade foi encontrar empresas capacitadas e que oferecessem produtos confiáveis”, declarou Lula, que foi buscar a tecnologia em Santa Catarina e a mão de obra para instalação, em Pernambuco.

Na quinta-feira (2), quando Lula começou a operar o seu sistema de microgeração em Maragogi, no Litoral Norte de Alagoas, do outro lado do Estado, no Polo Industrial de Marechal Deodoro, a Pure Energy apresentava o primeiro painel fotovoltaico produzido no Nordeste.

O parque industrial tem capacidade para fabricar 30 placas por hora. Cada painel pode ser utilizado em pequenas residências e até em grandes indústrias, assim como vem sendo feito por uma fábrica de cerâmica de 1 milhão de m² localizada no mesmo Polo Industrial.

Como funciona

Inversor transforma corrente contínua em alternada para que possa ser utilizada

O efeito fotovoltaico é resultado da interação da luz com os materiais semicondutores de uma célula fotovoltaica.  As células solares captam a radiação do sol e utilizam os fótons da luz para gerar eletricidade.

Essa eletricidade, que está em corrente contínua e é variável, passa pelos inversores para que seja convertida em corrente alternada com as características da nossa rede elétrica.

Depois de passar pelo inversor, a eletricidade solar poderá ser usada para alimentar os aparelhos elétricos da residência, por exemplo. E, se nem toda a eletricidade for consumida, o excedente é lançado na rede, como já foi explicado.

A célula fotovoltaica nada mais é que a unidade básica desenvolvida para realizar a conversão direta de energia solar em elétrica. O módulo é a unidade formada por um conjunto de células solares, interligadas eletricamente e encapsuladas, com o objetivo de gerar eletricidade.

Já os painéis são dois ou mais módulos fotovoltaicos interligados eletricamente, montados de modo a formar uma única estrutura. Um conjunto de módulos, juntamente com equipamentos complementares (inversores e cabos), forma uma usina fotovoltaica.